Copa do Mundo
Jogadores mudam de nacionalidade para disputar a Copa do Mundo
À medida que a Copa do Mundo se aproxima, casos envolvendo jogadores que trocaram de seleção ganham força e chamam atenção no sistema criado pela FIFA.
O futebol vive um fenômeno cada vez mais visível às vésperas da próxima Copa do Mundo: a troca de seleção por parte de jogadores com dupla nacionalidade. Diferente das tradicionais janelas de transferências, marcadas por negociações entre clubes e cifras milionárias, essa movimentação envolve decisões ligadas à identidade esportiva dos atletas. Nos últimos meses, diversos jogadores passaram a optar por representar novos países no cenário internacional, criando uma espécie de “mercado” entre seleções.
Desde fevereiro, a FIFA passou a registrar oficialmente essas mudanças por meio de uma plataforma específica que acompanha os pedidos de “troca de associação” feitos por jogadores em todo o mundo. Com o Mundial se aproximando, o sistema tem recebido um número crescente de solicitações. Apenas desde o início de março, quase cem mudanças foram registradas, evidenciando como a proximidade da Copa aumenta o interesse de atletas em buscar espaço em novas seleções.
Algumas dessas alterações estão diretamente ligadas à disputa por vagas no torneio. Há casos de jogadores que passaram a defender equipes que participaram das repescagens internacionais, lutando pelas últimas classificações para o Mundial. Um exemplo recente é o do atacante Joël Piroe, de 26 anos. Nascido na Holanda e filho de pai indo-surinamês, ele optou por representar o Suriname. A mudança foi oficializada no dia 17 de março na plataforma da FIFA, e pouco depois o jogador já estava em campo defendendo a nova seleção na repescagem contra a Bolívia.
Outro tipo de situação envolve atletas que retornam para representar o país onde nasceram, mesmo após passarem pelas categorias de base de outras seleções. Foi o que aconteceu com Paul Wanner e Carney Chukwuemeka, que passaram a integrar a seleção da Áustria. Wanner, revelado pelo Bayern de Munique e atualmente no PSV, havia defendido as equipes de base da Alemanha em mais de 20 partidas. Já Chukwuemeka construiu sua formação internacional atuando pelas categorias inferiores da Inglaterra.
Sem oportunidades nas seleções principais desses países, os dois decidiram representar o país onde nasceram. A estreia com a camisa austríaca aconteceu durante a Data Fifa de março, quando participaram dos dois jogos da equipe. Chukwuemeka ainda teve destaque ao marcar um dos gols na vitória por 5 a 1 sobre Gana. A expectativa é que ambos passem a disputar espaço na lista final da seleção para a Copa do Mundo.
O fenômeno não se limita apenas à Europa. No continente africano, várias federações têm adotado estratégias estruturadas para atrair jogadores com origem familiar em seus países. Um dos casos mais bem-sucedidos é o do Marrocos, semifinalista da Copa do Mundo de 2022 e adversário do Brasil no Grupo C do Mundial de 2026. Com uma grande diáspora espalhada principalmente por ligas da Espanha e da França, a federação marroquina passou a desenvolver um trabalho ativo de aproximação com atletas que possuem raízes no país.
Essa política inclui a apresentação de projetos esportivos e o convencimento de jogadores que cresceram no futebol europeu a defenderem a seleção africana. A estratégia tem sido ampliada para outras comunidades fora dos centros tradicionais, incluindo países como a Bélgica. O resultado é um grupo cada vez mais competitivo, com atletas formados em algumas das principais ligas do mundo.
Durante a Data Fifa de março, a seleção marroquina incorporou novos nomes que passam a integrar o grupo de atletas observados para os ciclos das Copas de 2026 e 2030 — edição em que o próprio Marrocos será um dos países-sede do torneio.
Para o pesquisador Luis Felipe Herdy, integrante do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Oriente Médio (GEPOM) e doutorando em Relações Internacionais pela PUC-Rio, o fenômeno envolve mais do que simples cálculos esportivos. Segundo ele, embora alguns jogadores busquem seleções com menor concorrência para aumentar suas chances de disputar competições importantes, também existe um processo recente de resgate de identidade e de reconexão com origens familiares.
De acordo com o pesquisador, nos últimos anos tem surgido um discurso mais forte ligado à valorização da herança cultural e à necessidade de países historicamente menos valorizados no sistema internacional afirmarem sua presença no cenário esportivo global.
O comentarista Luis Fernando Filho, integrante do podcast Ponta de Lança — que debate esporte, cultura e política no continente africano —, acrescenta que a estrutura oferecida pelas federações também é determinante para convencer os atletas. Segundo ele, apenas o vínculo emocional não é suficiente se não houver um projeto esportivo capaz de garantir competitividade e boas condições de trabalho.
Nesse contexto, seleções como Senegal e Marrocos têm se destacado por desenvolver redes de observação eficientes para localizar jogadores com origem em seus territórios que atuam no exterior. Esse trabalho envolve um mapeamento detalhado de atletas espalhados por ligas europeias e a apresentação de planos claros para o desenvolvimento das seleções nacionais.
O fenômeno também atinge jogadores conhecidos do público sul-americano. Um exemplo é o do meio-campista Maurício, atualmente no Palmeiras, que decidiu se naturalizar paraguaio com o objetivo de se tornar elegível para representar o Paraguai em futuras competições internacionais.
Outro caso recente envolve Rani Khedira, irmão mais novo do ex-meia Sami Khedira, campeão da Copa do Mundo de 2014 com a Alemanha. No dia 4 de março, sua mudança de associação foi publicada no portal da FIFA, confirmando sua filiação à federação da Tunísia. Pouco depois da oficialização, ele foi convocado e participou do amistoso contra o Canadá, que terminou empatado sem gols.
Com a aproximação do Mundial, a tendência é que novos casos de mudança de seleção continuem surgindo. Em um futebol cada vez mais globalizado, onde muitos atletas crescem e se formam em países diferentes daqueles de suas origens familiares, as decisões sobre qual bandeira defender se tornaram parte importante do cenário esportivo internacional.
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